
Ontem queimei um lençol,
com o ferro,
fiz isso sozinha,
gravei-lhe um colorido triângulo torrado
graças à televisão.
Tenho sempre a televisão pequena na cozinha
enquanto passo a ferro:
uma criança negra numa guerra
mamava ao peito de sua mãe morta.
Senti que tinha engolido uma bola de pêlo.
Não irei esquecer isso:
o leite gotejou para dentro do meu peito.
enquanto passo a ferro:
uma criança negra numa guerra
mamava ao peito de sua mãe morta.
Senti que tinha engolido uma bola de pêlo.
Não irei esquecer isso:
o leite gotejou para dentro do meu peito.
Poema de MIREN AGUR MEABE (foto). Nasceu em Leikeitio, País Basco (ES), em 1962. É formada em Filologia Basca, exercendo a profissão de editora. Publicou o seu primeiro livro de poesia em 1999, mas foi em 2.000 com Azalaren Kodea (O Código da Pele) que recebeu a aclamação da crítica espanhola.
Do excelente site Poesia Ilimitada
0 comentários:
Postar um comentário