"Diploma de jornalismo para exercer a profissão é herança da ditadura" é a p.q.p.!!
Aquela afirmação casuística é um desrespeito à memória de grandes jornalistas que lutaram pela regulamentação de nossa profissão.
Em Minas Gerais, na década de 60, nossa luta pela regulamentação era liderada pelo então presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Virgílio de Castro Veado.
Eu era estudante de Jornalismo na UFMG e participei da luta. Por sua vez, o movimento pela universidade era liderado por Jurandir Persichini Cunha, então presidente do Centro de Estudos Jornalísticos da UFMG. Lembro-me de dois expoentes da categoria também na luta daquela época: meu saudoso professor e amigo Plínio Carneiro, e o ex-presidente da Fenaj, Washington Melo.
Os estudantes e os jornalistas se juntaram numa quase unanimidade e, enfim, em 1969, a Junta Militar, presidindo o país, assinou a obrigatoriedade do diploma. Mais tarde, em 1979, Ernesto Geisel, na Presidência, regulamentou a profissão. Foi nossa conquista, resultado de muita luta e união.
Vejam bem. Já existia o Curso de Jornalismo na UFMG, fundado em 1963, antes do primeiro ato de 1969. Eu entrei para a faculdade em 1968 por idealismo, para tentar ser profissional de uma profissão que sequer era reconhecida. Meu pai me alertou, queria que eu fizesse Direito. Disse: jornalista, vai é passar fome.
A fome pela profissão foi bem maior. E não acho que a gente entra para o jornalismo para ficar rico. Os que ficam, com honrosas exceções, são os jornalistas corruptos, uma minoria.
O STF, óbvio, movido por interesses econômicos, pressão do patronato, deu aquela sentença que achei até ridícula. E esta sentença não é cláusula pétrea como também não é a presidência do STF do atual ocupante do cargo e relator da desregulamentação.
Conversando há poucos minutos com o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas, Aloísio Morais, que foi meu colega de UFMG, disse a ele que esta sentença vai é unir os profissionais e os estudantes, como em 1969.
Por este lado, a estranha sentença foi benéfica. Sairemos desta luta mais fortalecidos ainda. E estudantes e velhos jornalistas (eu agora estou nesta categoria) levantaremos das cinzas como Fênix.
Aloísio Morais lembrou-me da fala do presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azedo, logo após a sentença do STF: "Em 1918, a entidade organizou um congresso de jornalistas que aprovou uma possível grade curricular para a área." Vejam bem, há um século, praticamente, já se falava da necessidade de formação específica para a área.
A opinião pública também se levantará, principalmente quando descobrirem, num segundo momento, que aquela sentença atingiu várias outras profissões. Pois nela está dito que só de profissões que colocam em risco a vida de cidadãos, exige-se obrigatoriedade de formação específica superior. Atenção então senhores advogados, pedagogos, professores, geólogos, sociólogos, arquitetos, etc etc, vocês também cairão nesta vala comum em que nos atiraram.
Na realidade, avilta-se o trabalhador de curso superior, com repercussão em salários, direitos, e outras cositas más. Manobras, manobras, cuidado! Periga o Brasil.
Lembrem-se daquela história de uma ditadura que torturou um jornalista quebrando-lhe os dedos das mãos para que ele não a atacasse. No outro dia leram no jornal: "Tolos, pensaram que jornalista escreve é com as mãos".








2 comentários:
Caro Jornalista Màrcio... não se apuquente tanto com decisão tão lamentável do STF pois a própria sociedade saberá separar o joio do trigo.... Jornalista é e sempre será aquele profissional que assim como você estudou e está carregado de bagagem na hora de transmitir as informações para a população com líssura e honestidade... quaquer outro não passará nunca de um mero escritor de "cordel" ....caberá ao leitor, ouvinte ou telespectador a decisão final de quem merece atenção....
Que legal Márcio Nostradamus previu,lá no século XV o momento que vivemos hoje, ou seja, todas as pessoas, de todos os cantos do mundo estariam no mesmo lugar, fazendo a mesma coisa, unidos, ou seja, plugados numa rede virtual, com liberdade de expressão.Isso está acontecendo. O melhor não é apenas a união de nossa categoria(vc tem razão) o bom mesmo é poder desbancar a mídia estabelecida e detentora de poder absoluto e até então inabalável(KKKK).Bárbaro sua informação sobre a década de 60. Eu não era nascida,(KKKK)mas me serviu muito. Posso usar seu texto no site do Sindicato? Estamos arrebentando.Vou indicar seu blog pra o meu mailling, ok? Milhões de beijos pra vc e suas crianças, lindas, lindas mesmo!!!!!Fátima de Oliveira
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