sexta-feira, 1 de maio de 2009

Admissão ao Ginásio

Entre 1931 e 1971 as crianças brasileiras de 10, 11 anos de idade, sofriam o que hoje sofrem marmanjos de 18 a 20 anos. Havia um exame para se entrar no curso Ginasial, prestado logo após o curso Primário. Quem não passasse, teria que cursar um ano de Admissão. Eram os tempos do Jardim, Primário, Ginasial, Colegial e Superior.
O ensino era dividido assim: Jardim de Infância, dos 5 aos 6 anos de idade; Grupo Escolar, dos 7 aos 10 anos; Ginasial, dos 11 aos 14 anos. Depois vinham o Científico ou o Clássico, período de 3 anos. O Científico era voltado para as Ciências Exatas e o Clássico para as Humanas.
Depois o sujeito ainda tinha que enfrentar o vestibular para a universidade, considerado hoje o bicho-papão de marmanjos. Imagina atribuir esta responsabilidade a crianças de 10, 11 anos de idade!! Verdadeira anti-pedagogia. Como poderia uma criança com tal idade ser submetida a rigorosos testes mentais? E eram provas escritas e orais de Português, Geografia, Aritmética, História do Brasil, História Geral e Ciências. Para se ter uma idéia, o livro de Admissão tinha 414 páginas! Que tempos inquisitórios!!!
Os anos de estudos eram chamados assim: Jardim, ano (exemplo: 1º ano do Jardim); Grupo Escolar, ano; Ginásio, série; Científico/Clássico, ano; Faculdade, ano.
Minha primeira professora no Primário foi Dona Clélia Buzetti Moreira. Lembro-me bem da primeira aula no Grupo Escolar João Monlevade, em Caeté. Ela entrou, deu boa tarde e escreveu no quadro-negro o seu nome, soletrando-o: Clélia Buzetti... quando ela disse Buzetti, a meninada caiu na gargalhada, sim, com 7 anos já sabíamos aquela palavra, considerada "nome feio".
Dona Clélia não entendeu o porquê das risadas ou fingiu não entender. Foi bom a minha professora ter esse nome porque se fosse um nome comum, talvez eu não me lembrasse de meu primeiro dia no Grupo Escolar.
Sempre que encontro seu filho Marco Antônio Moreira, grande pintor mineiro, conto-lhe esta história entre risadas de ambos.

Foto:
capa do livro Admissão ao Ginásio, compêndio de várias disciplinas, 1962, 414 páginas. Autoria de Aída Costa e Renato Pasquali

8 comentários:

Maraci Sant'Ana disse...

Ler esse texto me fez viajar, lembrar daqueles anos que não voltam mais.

Maraci Sant'Ana disse...

Em tempo - adorei a capa do livro, mas não cheguei a estudar nesse não. De onde você tira essas coisas, criatura de Deus?

Anônimo disse...

"Tempos inquisitórios" que isso amigo, se a gurizada de hoje tivesse os professores que nós tivemos, com certeza não tinha tanta criança marginal e marginalizada.Vc me fez ter boas lembranças. obrigado

Familia disse...

Olá! Esse livro fez parte de minha vida. Ele foi base essencial p/ meu sucesso educacional. gostaria de saber como cnseguir exemplar p/ compra. Obgda!!

Márcio Lima disse...

O livro Admissão ao Ginásio citado na matéria pode ser encontrado na Estante Virtual, o sebo na internet.O link é: http://www.estantevirtual.com.br/qtit/admissao-ao-ginasio

Resolvi seu problema?

Anônimo disse...

Eu ainda tenho esse livro, mas tá um caco. [rsrs]

Unknown disse...

Prezado,
Fiz uma visitinha ao seu blog.
Uma lembrança deliciosa do meu livro, lido e relido, passado de mão em mão, como devem ser os livros úteis. Lembro que um colega da minha turma naquela época decorou todos os textos, é sério...ele sabia todos. Qualquer um daqueles poderia ser sorteado na prova. Demais!
Graça Cantalino

Anônimo disse...

Discordo que seja uma antipedagogia os exames de admissão... toda minha geração passou ppor issso... a mioria das autoridades hoje no pais passaram por isso... Havia uma seleção dos melhores.... Univerdidade não é para todos... por isso, nivelra por baixo é que temos hoje analfabetos de números e letras...
Higino ( J Pessoa- PB)
higino543@hotmail.com