Sábado, 9 de Agosto de 2008

Tempoesia


Inquietude

(para Fernanda Barreto)


Encontrei um candelabro de cristal

Quebrado atrás de uma igreja

Ele não fazia barulho

O tilintar de cristais

Nem emitia qualquer luz

Não tinha mais a função de candelabro

Seu destino agora era inquietar

A minha imaginação...

Sigo perguntando para que servem coisas

Que não servem mais para nada?

De que vale um sabonete fino como lâmina?

Uma bola de futebol rasgada?

Um aparelho de correção dentária usado?

Um penico em casa de senhoras gorduchas?

Um pássaro preso que largou o canto

Lá no meio das árvores do bosque?

Um coelhinho de pelúcia que dá azar?

Uma bateria de celular das antigas?

Uma poeta que não escreve,

Um poeta que não ama,

Um amor que não tem nome?

De que servem essas coisas

Se só são lembradas

Quando se encontra um candelabro de cristal

Quebrado atrás de uma igreja?

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