domingo, 8 de novembro de 2009

28 de julho


Dois olhos chegaram do alto
me olharam, eu olhei
no mesmo momento eu senti
que aquele olhar sempre foi meu
nasceu ali naquele lugar
à primeira vista, literal
um amor atribulado
um trem desacarrilhado
onde jamais havia viajado.
Tenho a eterna sensação
de que aquele momento foi preparado
foi coreografdo como ensaio
foi pra ser como era pra ser
passo a passo enlaçado
Dali partimos para a matéria
que foi a mesma sem mudar
o que eu queria era
o que você também
sem atritos fomos em busca de sermos
dois sujeitos separados presos
um era um homem descobrindo mundos
outro era um mundo pra ser descoberto
ficamos assim nesse irreal andar
desmiolados, levados e cansados
desde dormir a acordar
fomos um só
um turbilhão que de repente
estouraram a ponte
ficamos sem chão
sem palavras
sem olhar
e ainda estamos
que dia vai passar?
Ah, vai passar
porque é tão forte que nada segura
corações buscando corações
luta por espaço e ar
só pra sabermos que o dificil
é só o começar
pois o durante
é o continuar
sem querer parar...

sábado, 7 de novembro de 2009

Autopsicografia


O poeta é um fingidor
finge tão completamente

que chega a fingir que é dor
a dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve
na dor lida sentem bem

não as duas que ela teve

mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
gira a entreter a razão

este comboio de cordas
que se chama coração.


Fernando Pessoa, absolutamente avassalador.

1965


Veja que delícia de vídeo.
The Byrds em 1965, cantando Mr Tambourine Man.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Virar o jogo

A medicina tem tanto de arte quanto de ciência, e o organismo humano ainda é um mistério em muitos sentidos. Nos tratamentos de dependência química, muitos fatores têm pouca ou nenhuma relação com os remédios produzidos pelos laboratórios, já que é preciso descobrir motivações, relações familiares, traumas, desejos, enfim, a história e o universo particular de cada indivíduo. Em tempos antigos, a medicina já era ensinada segundo o princípio de que, na verdade, não existem doenças e sim doentes, indicando que cada caso é um caso. No meu trabalho, confirmo todos os dias esse princípio. É por isso que vejo com grande receio a onda de internação involuntária que tem prosperado no Brasil. Na internação voluntária, o paciente entende a necessidade do tratamento e se dispõe a percorrer a longa jornada entre a doença e a cura. Mas um dependente químico que representa um perigo real para si mesmo e para os outros e ainda assim recusa o tratamento, pode exigir uma série de medidas; dentre elas existe – para casos muito específicos – a alternativa de uma internação involuntária.

A classe média vê agora na sua sala de estar um problema que antes era mais uma fria estatística social: o crescimento do consumo de drogas de altíssimo poder de destruição e farta oferta de mercado. Especialmente o crack tem arrastado famílias para um drama que antes parecia confinado geograficamente a uma distância segura das casas com TVs de LCD, geladeiras duplex e carro na garagem. Mas o problema passou pelo porteiro do prédio e se instalou no apartamento de três quartos, com dependência de empregada, empurrando famílias tão desesperadas quanto despreparadas para lidar com a tragédia e com a dor.

A primeira constatação dolorosa a ser feita é que a família talvez não tenha percebido os sinais – quando a dependência ainda não estava nesse estágio – que permitiriam um tratamento menos violento. A segunda constatação dolorosa é que um paciente que não quer se recuperar torna a jornada ainda mais longa, mais dolorosa e mais difícil. Mas a terceira constatação é o real motivo deste texto. Aproveitando a fragilidade e o desespero das famílias, clínicas suspeitíssimas faturam alto com internações tão involuntárias quanto indevidas. O que é oferecido às famílias como internação involuntária é apenas sequestro. O que é apresentado como tratamento é apenas cárcere privado. O que é apresentado como um programa de reabilitação é apenas uma câmara de torturas que deixaria os inquisidores com água na boca.

O crescimento da internação involuntária significa que todos nós estamos doentes. Os governos – e não apenas o Brasil – estão perdendo de três a zero para os traficantes. As famílias estão perdendo de três a zero para os traficantes. A sociedade está perdendo de três a zero para um turbocapitalismo que coloca o lucro acima de qualquer valor ou virtude. Mas ainda dá tempo de virar o jogo. Tem que dar tempo. É nisso que eu penso todos dias.

por Arnaldo Madruga, psiquiatra, publicado em O Tempo, hoje

Etc e tal


Apesar de você amanhã será outro dia.
Você que inventou a tristeza, vai pagar e é dobrado.
Este dia há de vir antes do que você pensa.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Mães dependentes


O temor pelas drogas está atingindo as raias do absurdo. Hoje qualquer bebidinha a mais, qualquer cambaleada na rua depois de uma balada, qualquer lapso de memória após o álcool, têm sido visto por muitas famílias como sintomas não de alcoolismo, mas de dependência química, que inclui de drogas pesadas -que seu filho no íntimo às vezes até odeia-, a alúcinógenos, dos quais você nem tem idéia do que sejam.
Lembro-me minha mãe perguntando se eu estava cheirando maconha ou fumando cocaína, na minha época de faculdade, tal era a escassa noção de conhecimento dela sobre essas drogas.
Hoje, muitas mães aproveitam a bebidinha do filho, que até passaria num simples teste de bafômetro, para levá-lo a se submeter a um exame toxícológico e de posse desse documento que pode virar um atestado de abitrariedade, autoritarismo e até nazismo, encerrar o filho incomunicável em uma clínica caça-níqueis dessas que proliferam no interior de São Paulo e fazem traslados a partir de Belo Horizonte, de "pacientes" depois de um "sossega-leão" cavalar e uma "elegante" camisa-de-força.
Esses castigos maternos muitas vezes são levados por homofobia, à qual o providencial laudo do bafômetro-de-cartório leva o filho a ser enclausurado supostamente pelo "alcoolismo", mas para ser curado da "tal doença" da homossexualidade, com a cumplicidade da indústria da internação, igrejas fanáticas e políticos reacionários. E o total apoio das extremadas mães, doces "hittlerzinhas" sem bigodes.
São Paulo é o Estado onde a luta-antimanicomial parece uma caricatura de militância diante da empreendida em Minas Gerais, onde manicômio virou sinônimo de cárcerre privado. E o é de fato. Cabe á luta antimanicomial mineira, acabar com estes balcões paulistas cata-clientes que funcionam em BH na área hospitalar.

Publico abaixo um teste elaborado nos Estados Unidos, que pode servir de parâmetro para você "ver e medir" o grau de "toxicidade" de seu filho com a chamada droga lícita, o álcoool. Veja bem, nada que justifique encerrá-lo incomunicável numa pocilca do interior de São Paulo sem visitas dos amigos ou do namorado, num verdadeiro cárcere privado. Comete-se um crime sacramentado pelos tais laudos de dependência química. Se fosse assim, acho que 80% do Brasil, este país de cervejeiros e cachaceiros, estariam encerrados nesses muquifos caça-níqueis que, repito, proliferam pelo interior de São Paulo, principalmente na região compreendida entre Cotia, Ibiúna e Sorocaba. Na expressão do renomado psiquiatra Arnaldo Madruga, são verdadeiros "cadeiões".

Teste demonstrativo
01. Você ocasionalmente bebe muito depois de uma decepção, uma discussão, ou quando seu chefe chama sua atenção?
02. Quando você tem problema e se sente sob pressão, você sempre bebe mais que o usual?
03. Você tem notado que você é capaz de se deixar levar mais pela bebida do que quando começou a beber?
04. Você alguma vez acordou na manhã seguinte e descobriu que você não podia lembrar de parte da noite anterior, embora seus amigos tenham lhe dito que você não estava em transe?
05. Quando você está bebendo com outras pessoas, você tenta beber algumas bebidas extras quando os outros não sabem disso?
06. Há certas ocasiões em que você sente-se desconfortável se o álcool não está disponível?

07. Você recentemente tem notado que quando você começa a beber você está sempre buscando mais do que está acostumado a beber?
08. Você, no seu íntimo, irrita-se quando sua família ou amigos discutem sobre o fato de você beber?
09. Você tem recentemente notado um aumento frequente de lapsos de memória?
10. Você frequentemente deseja continuar bebendo depois que seus amigos dizem que você já bebeu o suficiente?
11. Você geralmente tem um pretexto para as ocasiões nas quais você bebe muito?
12. Quando você está sóbrio, você frequentemente se arrepende das coisas que você fez ou disse enquanto bebia?
13. Você alguma vez experimentou mudar de estratégia ou objetivos ou seguir diferentes planos para controlar sua bebida?

14. Você frequentemente falha em manter promessas as quais você tem feito a você mesmo para controlar ou cortar a bebida?
15. Você alguma vez tentou controlar a bebida fazendo uma troca de empregos ou mudando-se para uma nova localidade?
16. Você tenta evitar sua família ou seus amigos mais próximos quando está bebendo?
17. Você está tendo um aumento no número de problemas financeiros e de trabalho?
18. Você acha que mais pessoas parecem estar tratando você injustamente sem uma boa razão?

19. Você come muito pouco ou irregularmente quando você está bebendo?
20. Você às vezes tem tremores de manhã e acha que um pouco de bebida ajudará?
21. Você tem notado que recentemente você não pode beber tanto quanto você bebia antes?
22. Você às vezes fica bêbado por diversas vezes num determinado tempo?
23. Você às vezes se sente muito deprimido e pergunta a si mesmo se vale à pena viver?
24. Às vezes, depois de um período bebendo, você vê ou ouve coisas que não existem?
25. Você fica terrivelmente amedrontado depois de ter bebido muito?

Resultados:
      1-8 afirmativas: Estágio inicial

      9-21: Estágio intermediário

      22-25: Estágio final

(Este teste é apenas parâmetro extra-oficial, não se trata de estudo científico garantido)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Civilidade

O ministro das Cidades, Marcio Fortes, dircursa, no Rio, em coletiva de lançamento da campanha nacional de trânsito do MCidades. Foto: Rodrigo Nunes/MCidades

A necessidade de se realizar a manutenção do veículo, respeitar a travessia de pedestre, utilizar cinto de segurança no banco traseiro e evitar a direção sob efeito de medicamentos ou álcool. Este é o objetivo da campanha lançada neste domingo pelo Ministério das Cidades. O objetivo da campanha é impactar os atores do trânsito (motoristas, pedestres, motociclistas, ciclistas) para incentivar a condução com responsabilidade, o respeito às leis e o convívio civilizado nas necessidades diárias de deslocamentos. O Brasil é um dos cinco países com maior número de mortes no trânsito - 100 óbitos por dia.
A campanha nacional de trânsito começou no domingo com a veiculação das propagandas de televisão, jornal, rádio, mídia externa e revista em todo o Brasil. A campanha foi lançada pelo Ministério das Cidades na sexta-feira (30), durante coletiva de imprensa na sede do Detran/RJ, com a presença do ministro das Cidades, Marcio Fortes de Almeida, do presidente do Detran fluminense, Fernando Avelino, do diretor do Denatran, Alfredo Peres, e da diretora da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio), Cláudia Secin.
O público-alvo está compreendido em pessoas com idade entre 18 e 40 anos. “O selo 'Sou legal no trânsito', que consta em todas as campanhas do MCidades, abrange a observância à lei mas também um comportamento civilizado e educado no trânsito”, concluiu o ministro Marcio Fortes.
“O endurecimento das penas para quem bebe e dirige faz parte da Política Nacional Anti-Drogas. É uma decisão do presidente Lula”, disse.
Código de Trânsito – O ministro adiantou que o Congresso Nacional deve votar no próximo dia 10 as propostas de alteração no Código de Trânsito Brasileiro. Entre outras mudanças previstas, estão incluídas maiores penalidades para quem ultrapassa pelo acostamento e maior controle sobre quem comete as infrações de trânsito, para evitar a transferência de pontos das multas para outras pessoas.
A campanha só foi possível graças aos recursos arrecadados com infrações de trânsito e com o pagamento do seguro obrigatório. A afirmação foi feita pelo ministro das Cidades. “Este ano, o governo Federal vai investir R$ 120 milhões em campanhas de educação no trânsito”, disse.
O local de lançamento da campanha foi escolhido no Detran/RJ, pois se trata de uma parceria em defesa da vida. “Também faremos uma campanha de esclarecimento sobre o uso dos recursos do Seguro DPVAT em caso de acidente”, disse Marcio Fortes.

Diagnóstico – A frota de veículos do Brasil dobrou nos últimos 10 anos, aumentando consideravelmente o índice de acidentes no trânsito. São 56,3 milhões de veículos circulando pelas ruas, avenidas e rodovias do país, com mais de 35 mil mortes anuais registradas. O Brasil é um dos cinco países com maior número de mortes no trânsito - 100 óbitos por dia.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

bastar


"Comece sim, não pare, mas descubra o quanto basta!" (Márcio Lima)

domingo, 1 de novembro de 2009

O lado oculto


Busquei em todas as gotas do oceano encontrar-te afogando e te afagar em amores;
Nos grãos das areias desérticas tua imagem divina reflete aos céus.
Além de mim, quem ousará te ter?
Além do mar, onde poderei te encontrar?

Caminho entre as árvores do bosque em busca do templo;
As folhas das árvores balançam em reverência à tua imagem.
Além de mim, quem te amará de verdade?
Além da atmosfera, onde você repousará?

Preparo as gramas do jardim para que você deite comigo e sonhe;
Transformo as nuvens do céu em figuras hilárias para rirmos sem sentido.
Além de mim, quem te trará felicidade?
Além do céu, onde você voará?

Nas rimas dos cantos celestes te decifro em detalhes;
No gosto de beijo que roubo te sinto intensamente.
Se você não repara nos dedos que tocam seu corpo;
Não sente os trêmulos suspiros quando estou com você;
Então não me chame de amor se não vês que te amo;
E tente entender que o sofrer não está só no poço.

Queria dizer-te o que fiz pensando em você.
Queria mostrar-te os caminhos para a felicidade;
Mas você não entende que escrevo pensando no tempo;
Que ligo o passado e o presente planejando o futuro;
E traço as sequências das luzes que me guiam na noite.

Busque entender que o sol não é feito de fogo;
Pense que assim como o sol o amor queima muito;
Entenda que a música que canto é a oração que te clama;
E faça dos meus sentimentos seu imenso prazer.

De autoria de Philippe Abouid, amigo novo que encontrei ontem falando de um assunto velho numa noite em que o sol brilhava e não estávamos na Suécia. Era aqui mesmo, em Belo Horizonte.
Particularmente gostei demais deste poema, se parece tanto com o que vivi-vivo.

amigos


Muito linda a amizade entre dois bichos tidos como "inimigos".

sábado, 31 de outubro de 2009

In a Gadda Da Vida


Iron Butterfly, em In a Gadda Da Vida (onomatopéia de Jangada da Vida) música de 1968, que marcou uma época onde começava-se a se acreditar em um sonho do qual nunca acordamos e nem levamos para a realidade.
No vídeo um apresentação de 1999.
Veja e lembre-se. Onde anda este sonho dentro de você?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Nada está perdido


ESCRITO POR REGINA BRETT, 90 ANOS, CLEAVELAND, OHIO.

"Para celebrar o envelhecer, uma vez eu escrevi 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais requisitada que eu já escrevi. Meu taxímetro chegou aos 90 em agosto, então, aqui está a coluna, mais uma vez:

1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo.
3. A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.
4. Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer. Seus amigos e seus pais vão. Mantenha contato.
5. Pague suas faturas de cartão de crédito todo mês.
6. Você não tem que vencer todo argumento. Concorde para discordar.
7. Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho.
8. Está tudo bem em ficar bravo com Deus. Ele agüenta .
9. Poupe para a aposentadoria, começando com seu primeiro salário.
10. Quando se trata de chocolate, resistência é em vão.

11. Sele a paz com seu passado, para que ele não estrague seu presente.
12. Está tudo bem em seus filhos te verem chorar.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que se trata a jornada deles.
14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, você não deveria estar nele.
15 .Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe, Deus nunca pisca.
16. Respire bem fundo. Isso acalma a mente.
17. Se desfaça de tudo que não é útil, bonito e prazeroso.
18. O que não te mata, realmente te torna mais forte.
19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de você e mais ninguém.
20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite "não" como resposta.

21. Acenda velas, coloque os lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Se prepare bastante; depois, se deixe levar pela maré...
23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela sua felicidade, além de você.
26. Encare cada "chamado" desastre com essas palavras: Em cinco anos, vai importar?
27. Sempre escolha a vida.
28. Perdoe tudo de todos.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo.

31. Indepedentemente de a situação ser boa ou ruim, irá mudar.
32. Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva...
33. Acredite em milagres.
34. Deus te ama por causa de quem Ele é, não pelo que vc fez ou deixou de fazer.
35. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora.
36. Envelhecer é melhor do que morrer jovem.
37. Seus filhos só têm uma infância.
38. Tudo o que realmente importa, no final, é que você amou.
39. Vá para a rua todo dia. Milagres estão esperando em todos os lugares.
40. Se todos jogássemos nossos problemas em um monte e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta.
41. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
42. O melhor está por vir.
43. Não importa como vc se sinta, levante, se vista e apareça.
44. Produza.
45. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente "
.
Enviado ao blog por Titita Motta

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Fim dos Manicômios


Marcha conquista IV Conferência de Saúde Mental e retoma a urgência do fim das torturas

Tendo reunido 2300 pessoas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, na semana passada, com música, dança, bonecos, cartazes e faixas defendendo as formas de tratamento que substituem o velho manicômio e permitem o convívio social aos portadores de transtorno mental, a Marcha dos Usuários pela Reforma Psiquiátrica Antimanicomial fez acontecer o que parecia improvável: pessoas chamadas loucas, inválidas, com histórias de internações, vieram a Brasília e foram recebidas pelo Planalto, em dez audiências em ministérios, na Câmara e no Senado.
De invisíveis, como bem apontou Gilberto Carvalho, chefe do gabinete pessoal do presidente da República que recebeu 35 manifestantes, os usuários da saúde mental conquistaram lugar de cidadãos. Foram ouvidos, o governo deliberou com eles. Marcharam organizadamente, apresentaram pautas precisas, conhecedores que são da situação real das políticas públicas a eles destinadas – ou das que precisam ser criadas, como é o caso das relacionadas à subsistência, renda e economia solidária.
A vitória imediata da Marcha foi o compromisso com a realização da IV Conferência Nacional de Saúde Mental ainda nesse governo, assumido por Gilberto Carvalho com anuência do presidente Lula. Carvalho mostrou-se sensível às denúncias de mortes e torturas em hospitais psiquiátricos. Eles ainda recebem metade da verba da saúde mental, proveniente do Sistema Único de Saúde, sem que recuperem os pacientes internados, como de fato fazem os serviços abertos como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), quando estão estruturados e em funcionamento.
Sobre a persistência de tortura e maus tratos, Carvalho se disse “assustado” com o que ouviu e assumiu a tarefa de colocar o tema para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, responsável pela implementação da Reforma Antimanicomial. Paulo Vannuchi, secretário especial de Direitos Humanos, ressaltou que a tortura se alimenta da impunidade e se comprometeu a estruturar o tratamento do tema na secretaria, em diálogo, sobretudo, com o Ministério da Saúde.
Com relatos vivos, a marcha conseguiu colocar na pauta do governo federal a necessidade da Reforma Psiquiátrica, instituída por lei em 2001 pela Lei 10.126. Dossiê apresentado pelo Instituto Damião Ximenes, do Ceará, sobre o município de Ipueiras, trouxe imagens de pacientes encarcerados em celas, sem acompanhamento médico, psicológico ou condições de higiene. A cidade tem um Caps que recebe visita de psiquiatra três vezes ao mês, sem, portanto, ter estrutura profissional para atender nem mesmo os pacientes em tratamento.
Na audiência com a ministra interina da Saúde, Márcia Bassit, os manifestantes argumentaram que, ao pedirem celeridade para a Reforma, não tratam do tempo que querem, mas do tempo necessário par evitar mortes nos hospitais psiquiátricos. A implementação da reforma seria acelerada com o pleno funcionamento dos Caps; com a solução da constante falta de verbas para as atividades na ponta; qualificação dos profissionais; e abertura de Caps III, que realizam atendimento 24 horas.
Os usuários, cujas organizações são agregadas pela Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial, não têm dúvidas da importância dos diálogos sobre a defesa da Lei 10.216/91, sobre a necessidade do fim das interdições judiciais ou do desenvolvimento das políticas de assistência, como o Programa de Volta para Casa, que tem por objetivo reintegrar socialmente usuários que passam por longas internações. A estes temas somam-se o fim dos manicômios judiciários e o acesso ao tratamento de saúde mental, nos moldes da Lei 10.216, para portadores de sofrimento que estejam respondendo a processos ou cumpram penas. Todos os pontos foram pautas das audiências com os ministérios da Justiça, do Trabalho, Cultura, Desenvolvimento Social, INSS, Conselhos Nacionais de Secretarias Municipais de Saúde e de Secretários de Saúde, que também receberam a marcha e se propuseram a caminhar no esforço de incorporar a realidade da saúde mental em suas atividades.
Terminadas as audiências, os usuários, agora marcados pela experiência da possibilidade de ação coletiva, seguem presentes, atentos, sobretudo visíveis. Que o momento marcante de tomada de voz pelos usuários, no Brasil, marque a retomada do andamento da Reforma Psiquiátrica Antimanicomial.

Nelma Melo – Coordenação da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (Renila) Humberto Verona – Presidente do Conselho Federal de Psicologia

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Parceiros


Coragem é tão relativo
tem coragem no choro, sabia?
A maior coragem é fazer o que se quer
mesmo na dor das dúvidas,
não há coragem sem recompensa
porque nada acontece
sem que te dêem um poder de combate
e a arma da coragem.
Vivi dias tristes,
os mais tristes que pude desejar
mas esbarrei na coragem
que tira tristeza
que dá rumo
que ajeita caminhos
que faz chover flores no deserto
e alçar pássaros na direção do sol
rasgados por labaredas.
Venha, tarda o tempo
de que venha...
tarda nossa noite
fica em moletons cinzas, o frio
de bando de rapazes conversando
o inconversável
entre muralhas sem afeto
e poças em gramado hostil.
Guarde no canto do peito seu amor
não conte pra niguém
nem precisa dizer este nome
mas na hora necessária saiba gritar
que esse grito romperá o mar ao meio
por onde passarão as multidões dos solitários
ao encontro de outros corações sozinhos...
.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Foi-se um ícone



Mais uma rara beleza do cinema que se vai. Morreu neste sábado, próxima de completar 70 anos a atriz italiana Rosanna Schiaffino.
Foi-se mais um ícone das décadas de 50/60, não só no cinema, mas de nosso imaginário.

domingo, 18 de outubro de 2009

Teste de Aids pelo Correio


Ministério da Saúde agiliza e facilita Teste anti-HIV em papel seco, o que na prática, significa que poderá ser feito até através do Corrreio.

O Ministério da Saúde publicou nesta sexta-feira (16) um conjunto de novas metodologias para a realização de testes anti-HIV que ampliam as formas de realização do exame e tornam o diagnóstico mais rápido no país. Publicada no Diário Oficial da União, a portaria 151 autoriza a realização de testes com sangue seco, utilizando a coleta em papel-filtro. Na prática, essa metodologia permite o envio de material pelo correio, levando os meios de diagnósticos dos centros urbanos aos locais mais distantes, onde não há capacidade laboratorial disponível.

“Tecnicamente, as amostras de sangue seco não são consideradas biologicamente infecciosas, o que facilita o manuseio e o transporte até o laboratório”, explica o Ministério da Saúde, em nota. “A principal vantagem do método é o armazenamento da amostra de sangue por até 12 semanas sem refrigeração. Essa metodologia, por sua praticidade, dispensa a necessidade de coleta e transporte especializados, baixando conseqüentemente o custo dos exames”, complementa o ministério.


Estima-se que o país tenha 630 mil infectados pelo HIV no país. Desse total, aproximadamente 255 mil estão infectados e ainda não fizeram teste


As novas regras que começaram a valer nesta sexta valem para as redes pública e privada de todo o país. Elas reduzem de três para duas as etapas pelas quais a amostra de sangue positivo para HIV tem de passar antes da conclusão do resultado. Com isso, o Ministério da Saúde acredita que irá conferir maior agilidade no processo de diagnóstico da infecção pelo HIV e também poderá permitir maior praticidade para os laboratórios.

Outra nova metodologia incluída no rol dos exames é a que utiliza a biologia molecular para detecção do HIV. Segundo o ministério, essa tecnologia é importante porque identifica o vírus e não os anticorpos produzidos pelo organismo e será utilizada para auxiliar o diagnóstico da infecção pelo HIV em casos de resultados indeterminados, principalmente em gestantes.

Atualmente, estima-se que o país tenha 630 mil infectados pelo HIV no país. Desse total, aproximadamente 255 mil estão infectados e ainda não fizeram teste. Ampliar a oferta da testes para o vírus é uma das prioridades, diz o ministério.
Metodologias valem para redes pública e privada de todo o país.

sábado, 17 de outubro de 2009

Sequestro do sonho


Eu tinha uma vida simples
sentia cheiro das ruas
amava meus animais
ouvia pagode e achava engraçado
reclamava da falta de luz
conversava com minhas amigas
nos celulares da vida
andava com meus amigos
no dia e na noite da vida
apaixonava-me à cada esquina
por gente que em 5 minutos
virava pó
tinha esperanças
muitas esperanças
esperança de morar bem
de ter noites estreladas
e habitar alguém
Eu era comum
Um dia vi um rosto
com dois olhos pequeninos
cabelos em torvelinho
que me interrogavam do mundo
que queria o meu mundo
sendo que meu mundo era nada
Entrou, apossou-se do que eu nem tinha
criou em mim esperança
transformou meu ritmo
me deu rios de alegria
teceu um céu de estrelas
tanto acima quanto abaixo de meus pés
Se transformou na minha vida
nos meus planos
na minha música
no meu entender do mundo
Criou um mundo novo
para que eu nele fosse feliz
e eu era
nós éramos...
Não havia idade neste mundo
ora o velho ora o jovem
éramos nós em nossas conversas
desprovidas de hierarquia
Repentinamente foi sequestrado
sem uma palavra amiga
sem um bilhete
sem um telefonema
Desapareceu bem desaparecido
Ninguém imagina o que é
ter saudade de uma voz
O tempo passa
um dia após o outro
Hoje é só um dia a mais
Não me rio de pagode
não vejo florzinhas no caminho
não tenho céu estrelado
nem chão eu tenho
Ando como um zumbi
com medo de virar vegetal
ser um árvore raquítica
à beira de uma estrada
onde só passem viajantes silenciosos
Tento falar, alguns entendem
outros dizem o peculiar:
isso vai passar
Conto as horas,
nem conto
não sei o que fiiz no dia 14 de setembro
não me lembro de 22 de setembro
nem como fui vencendo as horas
como tantas horas passaram se eu nem as vivi?
Não quero ser árvore
quero entender recados sem recados,
vozes sem som,
visões sem sorriso
sinais de fumaça em noite de chuva
Quero entender
só quero entender
mas sem sua voz, impossivel
é o mesmo que entender morrer só pra ver como é
e voltar achando pagode engraçado.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Entulho autoritário


Clinicas de "recuperação" caça-níqueis de São Paulo (chamadas "cadeiões") recrutam clientes em Belo Horizonte na base do "sossega-leão" e não notificam a internação ao Ministério Público, o que é obrigatório por lei para garantir direitos básicos ao cidadão, tais como o de defesa.
Teve um caso de que a mãe de um "paciente" maior de idade contratou os serviços de uma destas clínicas num dia e dois dias depois, o "paciente" já foi apanhado de surpresa em sua casa, sem um exame prévio, levou uma injeção tranquilizante e foi trasladado para o interior de São Paulo, mais exatamente Piedade, durante mais de 10 horas por ambulância.
Ele não teve direito de dar nem um telefonema e, hoje, 40 dias depois de interno, continua sem acesso a telefone e sem poder receber visitas, inclusive de um advogado, a não ser de quem contratou tal arbitrariedade.
E a Lei 10.216 que protege o paciente, a chamada lei antimanicomial, de autoria do Deputado Paulo Delgado, tem a assinatura em sua promulgação em abril de 2001, do então Ministro da Saúde José Serra. E sua transgressão hoje em dia acontece bem debaixo de suas barbas de Governador de São Paulo.
A lei tem várias maneiras de proteção ao paciente involuntário, mas estas clínicas as desrepeitam em busca do dinheiro fácil, atuando de forma clandestina
O fato de não existirem estes cadeiões em Belo Horizonte, por causa da ferrenha luta antimanicomial no Estado, fizeram estas clínicas paulistas criarem na capital mineira verdadeiros balcões para recrutamento de clientela. São pequenos escritórios na área hospitalar da cidade.
Com a palavra o Deputado Paulo Delgado criador da Lei 10.216 antimanicomial e o Governador José Serra um de seus signatários e, portanto, seu guardião, para estourarem estes locais que, de casa de saúde, nada têm.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Frase do Dia

"Não consideres uma afirmação hesitante como uma afirmação de hesitação." -Ludwig Wittgenstein

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

F de falta


Anteontem eu andando
antes que o ontem chegasse
encontrei adiante
um beijo
Surpreso e pleno
prometendo dar-me a vida
o retorno da vontade
que sua ausência
invonluntária tirou
Nada de traição
antes de ser de Judas
este era coração
sabendo de tudo
de meus segredos
esses lábios tão jovens
me prometeram lealdade
até na dor de ser duplo
Seu jeito emite sinais
de forte presença
na ausência de você
que me ensinou algo
que só vivi há décadas
ser livre
ser livre
ser livre
mas ser leal, forte, acreditar que
se pode amar
o que se ama no momento
pois creia, este momento
é apenas
o seu complemento.
.

Eu só penso em você


Um recado a você. Agradeço a você por existir e preencher todos os meus dias, na alegria e na tristeza, na doença e na saúde, na felicidade e na dúvida, esta a pior dor da vida.

Eu só penso em você
com Paula Toller

Saí de casa à procura de ilusões
Coincidências e confirmações
Alguém com seu nome, alguma lembrança
Alguma palavra, aquelas canções
O mundo assim parece tão pequeno
e eu continuo tendo visões

Depois que nos encontramos
eu esqueço todo tempo
que fiquei sem te ver
Fora tanto que eu me perco
fora tudo mais que eu penso
eu só penso em você
só penso em você

Eu só penso em você
Só penso em você
Só penso em você
Só penso...

Fiquei em casa a espera de nada
Nenhuma visita, nenhuma chamada
Ninguém com seu nome, nem sua feição
Nenhuma esperança, nenhuma canção
O mundo assim parece tão imenso
E eu continuo vivendo em vão

terça-feira, 6 de outubro de 2009

t(p)rova de amor


quinze lados tem meu peito
quinze pés meu coração
a distância se encurta
quando pego a sua mão

sete chaves a saudade
sete brilhos seu olhar
a tristeza já chegou
mas não deixo ela ficar

duas razões temos juntos
dois sims um tanto opostos
mas o que interessa agora
é estar do mesmo lado

um só norte meu olhar
o mesmo que você vê
voltar, amar e sonhar
é tudo que vamos ter

conto com sua esperança
conte com minha coragem
este rio é manso e raso
lá está a outra margem

passado não foi bastante
nem forte de separar
futuro é muito melhor
dá frutos pra se amar

amor não é nos mirarmos
um vendo o que o outro faz
amar é olharmos juntos
no rumo da mesma paz

domingo, 4 de outubro de 2009

Mercedes Sosa


Volver a los 17

de Violeta Parra

com Milton Nascimento e Mercedes Sosa, que acaba de morrer.


Voltar aos dezessete depois de viver um século
é como decifrar signos sem ser sábio competente
voltar a ser de repente tão frágil como um segundo
voltar a sentir profundo como uma criança frente a
Deus
isso é o que eu sinto neste instante fértil.

Vai se enredando, enredando
como no muro a hera
e vai brotando, brotando
como o musguinho na pedra
como o musguinho na pedra, ai sim..., sim..., sim...

Meu passo recuado quando o de vocês avança
o arco das alianças penetrou em meu ninho
com todo seu colorido passeou por minhas veias
e até a dura corrente com a qual nos ata o destino
é como um diamante fino que ilumina minha alma serena


Vai se enredando, enredando
como no muro a hera
e vai brotando, brotando
como o musguinho na pedra
como o musguinho na pedra, ai sim..., sim..., sim...

O que pode o sentimento não o pôde o saber
nem o mais claro comportamento, nem o mais amplo
pensamento
tudo muda o momento qual mago condescendente
nos afasta docemente de rancores e violências
Só o amor com seu saber nos torna tão inocentes

Vai se enredando, enredando
como no muro a hera
e vai brotando, brotando
como o musguinho na pedra
como o musguinho na pedra, ai sim..., sim..., sim...

O amor é torvelinho de pureza original
Até o feroz animal sussurra seu doce canto
detém os peregrinos, libera os prisioneiros
o amor com seus caprichos o velho torna criança
e ao mau só o carinho o torna puro e sincero

Vai se enredando, enredando
como no muro a hera
e vai brotando, brotando
como o musguinho na pedra
como o musguinho na pedra, ai sim..., sim..., sim...

De par em par a janela se abriu como por encanto
entrou o amor com seu manto como uma morna manhã
ao som de seu belo toque fez brotar o jasmim
entrando qual serafim no céu colocou brincos
Meus anos em dezessete os converteu o querubim

(Tradução site Vagalume)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Craziness


Meu Deus do céu
o absurdo se avoluma
caminho num campo de trigo
procurando ver tanajuras
vejo estradas de formigas
entre os canteiros
Minha mãe mandou eu ser livre
até hoje não fiquei
procuro dentro de mim a liberdade
mas acho que ela está fora
se a vejo fora corro pra dentro
serei um covarde?
um porco chauvinista
sem sexo e sem Deus?
Tantas perguntas afloram
batem e ricocheteiam
(gosto do som desta palavra)
Continuo mascando nada
engolindo sonhos
vomitando ruídos
de porcos inocentes
cumprindo a labuta
de só se emporcalhar
Sou um insano
mais do que eu mesmo sei
Para conter o espanto
Me meço de um tamanho
que possa caber no seu olhar.
Não vivo, me arrasto
campos de trigos são só retórica
mal alinhavada em meu ser
personalidade vaga
homem vago
coração cheio de vagas
ondas de um mar de loucura!
Há vagas para trabalhadores braçais
Mas só se empregam intelectuais.
Uns boçais...

Imagem: Crazy Love, (Amor Doido), acrílico sobre tela de Derek Hambly - Austrália / 1945

Frase do Dia

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar" - José Saramago